Durante a última semana, recebemos questionamentos sobre os impactos da Guerra do Irã nos preços dos combustíveis no mercado brasileiro.
Em breve síntese, considerando que a capacidade de produção de gasolina e diesel da Petrobras não é suficiente para atender a integralidade da demanda nacional por esses combustíveis, aumentos substanciais e perenes nos preços internacionais do petróleo acabam afetando diretamente os preços internacionais e nacionais de derivados, como são a gasolina e o diesel.
Isso ocorre exatamente porque o mercado doméstico é atendido tanto pela Petrobras, que possui uma estratégia de precificação própria e não atrelada necessariamente aos preços internacionais, como também por refinarias e empresas importadoras privadas de gasolina e diesel que, usualmente, seguem os preços internacionais.
Assim, a expectativa é que a Guerra do Irã gere um aumento no preço da gasolina e diesel no mercado doméstico, o qual já está sendo sentido pelos postos revendedores nos últimos dias.
O valor desse aumento aos consumidores dependerá, contudo, dos seguintes fatores: (a) a Petrobras manter, ou não, os preços do barril de petróleo comercializado às refinarias privadas localizadas no Brasil, assim como os preços da gasolina e do diesel ofertados às distribuidoras; (b) o preço internacional do barril de petróleo, gasolina e diesel; (c) o preço da gasolina e diesel importados pela Petrobras e empresas privadas; (d) o preço da gasolina e diesel importados e repassados pelos importadores às distribuidoras; (e) o preço do etanol anidro, utilizado na mistura da gasolina, e pago pelas distribuidoras aos seus produtores; (f) o preço do biodiesel, utilizado na mistura do diesel, e pago pelas distribuidoras aos seus produtores; (g) o volume de gasolina e diesel que as distribuidoras adquirem junto a Petrobras, refinarias privadas e importadores; (h) o preço da gasolina e do diesel cobrado pelas distribuidoras dos postos revendedores; (i) o nível de concorrência nos diferentes mercados: refino / importação, distribuição e revenda; (j) contratos de exclusividade e; (k) discriminação de preços existentes na relação entre distribuidoras e postos revendedores.
Especificamente em relação aos três últimos itens, temos informações de que distribuidoras, bandeiradas e sem bandeira, já têm elevado consideravelmente os preços da gasolina e do diesel cobrados dos postos revendedores de forma não linear. Ou seja, para alguns postos o aumento praticado pela distribuidora é de algumas unidades de centavos e para outros de dezenas de centavos.
Isso significa que alguns postos foram obrigados a elevar seus preços em algumas unidades de centavos e outros em dezenas de centavos, sendo que quanto maior o número de postos instalados no município menor será a possibilidade de o posto revendedor elevar seus preços a patamares superiores àqueles que a distribuidora elevou o preço cobrado do posto
Este fenômeno fica ainda mais evidente nos casos dos postos bandeirados que, por contrato, acabam sendo obrigados a adquirir gasolina e diesel exclusivamente da distribuidora bandeirada, impedindo sua aquisição de outras distribuidoras sem bandeira ou bandeirada com preços mais baixos.
Ao serem questionadas pelos postos revendedores sobre as razões dos aumentos, as distribuidoras têm alegado que tais aumentos decorrem da necessidade de importação de gasolina e diesel, cujos preços dispararam desde o início da Guerra do Irã.
Fomos ainda informados por algumas distribuidoras consultadas que a Petrobras ainda não reajustou seus preços e continua fornecendo regularmente gasolina e diesel, porém com volumes diários correspondentes à média diária das aquisições da distribuidora nos últimos meses.
A ANP também divulgou, em 08.03.26, comunicado informando não haver riscos de abastecimento de gasolina e diesel em nenhum dos estados brasileiros, neste momento, bem como que aumentos de preços injustificados serão objeto de investigação pela Agência.
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